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A dicotomia Arquitetura/Engenharia

A dicotomia entre a arquitetura e a engenharia é falsa, mas a deficiência do ensino de estruturas nos cursos de arquitetura é real. Existe uma solução?

Projeto arquitetônico em #D

Arquitetura e Engenharia eram um só ofício até o século XVIII, quando foram separadas, inicialmente na França e depois no restante do mundo. Com isso, configurou-se a formação distinta de arquitetos e engenheiros, estes apoiados sobretudo no raciocínio lógico e no cálculo matemático, e aqueles, na intuição criativa e no desenho da forma espacial.

Porém, a razão de ser da arquitetura é a conformação do espaço às necessidades do homem, sendo a estrutura o meio físico pelo qual ela se viabiliza. Sendo assim, a concepção estrutural é uma etapa indissociável da criação arquitetônica.

O problema

A questão do ensino de estruturas para estudantes de arquitetura é um problema atual de formação profissional nos cursos de arquitetura do Brasil. Segundo dossiê produzido no III Encontro Nacional de Ensino de Estruturas em Escolas de Arquitetura (III ENEEEA), é recorrente a ausência de conteúdos relativos à história do desenvolvimento do conhecimento estrutural, da construção, da técnica e da tecnologia construtiva nos cursos de arquitetura no país, havendo uma desarticulação entre ensino de estruturas e ensino de projeto arquitetônico.

Esta problemática se intensifica com a emergência dos cursos de Ensino a Distância, nos quais aulas de laboratório, visitas de campo e orientações de projeto são atividades reduzidas.

Seus equívocos

O fosso entre as duas áreas do conhecimento alimenta equívocos recíprocos: arquitetos que pensam ser o projeto estrutural uma atribuição exclusiva do engenheiro e engenheiros que pregam que as estruturas mais bem resolvidas cientificamente são as melhores soluções estéticas.

Fachada de um edifício com varandas com formatos, tamanhos e disposições variados
Fachada de um edifício com varandas com formatos, tamanhos e disposições variados

Possíveis soluções

Em artigo publicado na edição 101 da CONCRETO & Construções, o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Petrus Gorgônio Bulhões da Nóbrega, defende que a proposição de soluções precisa considerar três aspectos principais:

  1. A busca dos arquitetos do ‘sentimento estrutural’, síntese mental da solução construtiva, precisa conciliar harmônica e equilibradamente o lado direito (que processa informações intuitivas, visuais, artísticas e subjetivas) com o lado esquerdo do cérebro (que cuida de informações racionais, diretas, unívocas, lógicas, matemáticas, sequenciais e objetivas);
  2. O aprendizado técnico exige predisposição para aprender;
  3. Não há uma única resposta para o problema, considerando-se que existam cerca de 470 cursos de arquitetura no Brasil, em 210 cidades das 27 unidades da federação, cada qual com suas particularidades em termos culturais e pedagógicos.

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