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Pesquisas sobre corrosão de estruturas de concreto por cloretos aumentam paulatinamente

As publicações sobre o tema atingiram 183 registros em 2018, vindos sobretudo de universidades da Itália, França e China

Corrosão de armadura em pilar de concreto

A durabilidade do concreto armado já foi considerada ilimitada, uma vez que a armadura das estruturas de concreto estaria protegida dos agentes agressivos do meio ambiente. No entanto, esse entendimento mudou na década de 1970, quando o setor construtivo começou a se defrontar com inúmeras manifestações patológicas nas estruturas de concreto, como a corrosão de armaduras.

Esse cenário despertou o interesse do meio científico e a durabilidade do concreto passou desde então a ser tema de pesquisas científicas.

A durabilidade do concreto é função de variados fatores, como a agressividade ambiental, os parâmetros de projeto, as características construtivas, o desempenho estrutural e o tempo de uso.

Por exemplo: o ambiente marinho ou costeiro é rico em sais – principalmente cloretos – que podem contaminar o concreto, sendo transportados desde sua superfície para seu interior por meio de sua rede de poros. O ponto crítico dessa concentração e transporte de cloretos para dentro da estrutura de concreto é atingindo quando os cloretos chegam às armaduras. Saiba mais na cobertura do 61º CBC.

A corrosão das armaduras é uma das manifestações patológicas que mais afetam as estruturas de concreto armado e sua evolução tende a comprometer significativamente a segurança estrutural de uma obra, caso não seja devidamente tratada. Além disso, a corrosão das armaduras pode encurtar a vida útil da obra.

Estudo bibliométrico quantitativo sobre corrosão de estruturas de concreto por cloretos

Pesquisa bibliométrica na Web of Science revelou 1100 publicações sobre o fenômeno da corrosão de armaduras em concreto pela ação de cloretos no período de 2009 a 2018.

Publicações de artigos sobre corrosão de armaduras no concreto por ano na Web of Sciences

Os principais resultados da pesquisa da produção científica relacionada ao ataque de cloretos em estruturas de concreto armado destacaram que:

  • Engenharia Civil (572), Ciência dos Materiais (478) e Tecnologia da Construção (455) são as áreas temáticas que concentram o maior número de publicações e cujos índices as colocam como tópicos com alcance não apenas na sua própria área de pesquisa, mas que têm efeitos de aplicação em outras áreas (Hot topics);
  • As publicações sobre o assunto têm crescido paulatinamente desde 2013, atingindo em 2018 o número de 183 registros, o que mostra a relevância do tema na comunidade científica;
  • O periódico “Construction and Building Materials” destaca-se pelo número de registros de publicações (132);
  • As quatro instituições de pesquisa que mais publicaram sobre o tema foram: Politécnica de Milão (Itália), Centro Nacional de Pesquisa Científica e Universidade de Toulouse (França) e Zhejiang University (China) – a Universidade de São Paulo é a instituição brasileira que mais se destacou no número de publicações, com 7 registros (71º lugar);
  • Já, os países que mais concentraram publicações foram: a China (260), os Estados Unidos (141), a França (74) e a Itália (61) – o Brasil ficou em 19º no ranking, com 19 publicações;
  • Dos 25 autores com o maior número de publicações, 5 estão entre os mais citados – destaca-se que a segunda publicação mais citada é de pesquisadores brasileiros (professores Marcelo Medeiros e Paulo Helene).

No que diz respeito ao conteúdo das cinco publicações mais citadas, dois envolvem estudos que visam inibir a penetração de cloretos, um objetiva prever a vida útil de estruturas em ambientes agressivos, outro apresenta a influência das mudanças climáticas no aumento do fenômeno de corrosão de armaduras e o último analisa o comportamento de vergalhões em aço inoxidável expostos a ação de cloretos.

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