50 anos do Instituto Brasileiro do Concreto IBRACON - Uma trajetória vitoriosa

A história do advento do cimento Portland para a construção civil, com reflexo determinante na melhoria da qualidade de vida da humanidade, é surpreendente. A patente do cimento com o título de: “an Improvement in the mode of producing an artificial stone”, obtida no início do século XIX, por Joseph Aspdin, já deixava claro seu papel, quase mágico, de moldar e construir uma rocha a partir da mistura de um pó com seu endurecedor, a água. Esse pó, resultado da fusão das rochas carbonáticas com solos ricos em sílica, ambos abundantes na crosta terrestre, e com diminuta porção de gipsita, tudo bem misturado com água, permanece plástico e moldável nas primeiras horas, permitindo moldar formas incríveis. Na sequência, endurece com a idade, transformando-se, a partir dos 28 dias, numa rocha artificial equivalente a um granito, calcário ou arenito, que, na natureza, precisam de milhões de anos para serem formados.

Essa pasta de cimento misturada a agregados deu origem ao concreto moderno, material industrializado mais consumido pelo homem na atualidade. Em fins do século XIX, foi patenteado, por François Hennebique, o concreto armado e em 1928, Eugène Freyssinet patenteia o concreto protendido, ambos combinando, inteligentemente, dois materiais estruturais, o aço e o concreto, complementares e acessíveis. O concreto armado e protendido é o último dos materiais estruturais até hoje conhecidos e disponíveis em larga escala. Na construção da história da humanidade, a madeira, o bambu, o barro, o saibro, os tijolos, a cerâmica, a alvenaria, as argamassas e a rocha o precederam por centenas a milhares de anos. O aço e as estruturas metálicas, penúltimo material estrutural, só ficaram disponíveis aos arquitetos e engenheiros graças à Revolução Industrial (1750-1850). O concreto armado e protendido, tal qual o conhecemos hoje, veio 100 anos depois do aço, e é o mais recente material estrutural, com apenas 120 anos no mundo e cerca de 100 anos no Brasil.

Mas basta olhar ao redor para entender que seu legado e sua história em todo o mundo são abrangentes e apaixonantes. Ao observarmos as maravilhas que o homem já criou, tirando proveito do potencial desse material construtivo, percebemos o quanto a humanidade ainda pode avançar em benefício próprio e do meio ambiente. Desde a paixão de meu pai por construções, que vivenciei desde menino, até durante os primeiros anos de minha formação profissional quando me encantei com o MASP na avenida Paulista, descobri e fui envolvido com o fascínio que as estruturas de concreto despertam. Desde cedo compreendi a sua importância, não apenas para a evolução e durabilidade das construções em todo o mundo, mas também para o progresso do homem, abraçando seu verdadeiro compromisso com a segurança, bem-estar e qualidade de vida das pessoas.

Ao ser criado, em 23 de junho de 1972, o IBRACON foi erigido por profissionais visionários, que enxergaram a força de transformação que o concreto tinha em diferentes campos da vida humana. Mais do que apenas acompanhar e promover as evoluções do material para atender as demandas construtivas, o Instituto nasceu e tem também como missão garantir o propósito ético, técnico, social e hoje sustentável das estruturas de concreto armado e protendido.

No período da fundação do IBRACON, a engenharia no país vivia uma fase áurea com muitas construções e investimento na infraestrutura do país: barragens para produção de energia elétrica, ponte Rio Niterói e estradas para a segura circulação de bens e pessoas, elevados, viadutos, usina nuclear de Angra dos Reis, obras de saneamento e metrô. A forte demanda contrastava com a falta de experiência e conhecimento dos engenheiros e das empresas de engenharia, somada à mão de obra despreparada. Como resultado, ocorreram grandes e trágicos acidentes: prova de carga das estacas da ponte Rio Niterói, que ceifou a vida de engenheiros do IPT; colapso parcial do elevado Paulo de Frontin, no Rio de Janeiro; colapso do pavilhão de exposições da Gameleira, em Minas Gerais; e outros ocorrências de menor repercussão. Havia, inclusive, dúvidas técnicas sobre o comportamento do concreto nas Estações de Tratamento de Água (ETAS), Estações de Tratamento de Esgotos (ETES) e nas estruturas enterradas do Metrô.SP quando exposto a solo agressivo devido a vazamentos de gás natural encanado para residências no solo do centro de São Paulo.

Conta a história que graças a um convênio entre o IPT e a SABESP, e aproveitamos para reforçar a importância das parcerias “Estado + Empresas + Centros de Pesquisa”, houve forte demanda de maior conhecimento sobre a permeabilidade do concreto, assim como havia controvérsias sobre a durabilidade das estruturas.  A carência de novos conhecimentos e a ocorrência de acidentes trágicos criaram o ambiente propício para os visionários fundadores perceberem que o caminho a seguir deveria ser o de investir no conhecimento compartilhado e discutido em seminários e encontros técnicos.

Discutindo permeabilidade e durabilidade do concreto, nasceu o IBRACON, num contexto que à época era absoluta novidade, pois havia a falsa crença de que as estruturas eram eternas e bastava serem seguras e estáveis. Na época, a ênfase quanto ao projeto estrutural era dada apenas à resistência e estabilidade. Esses primeiros encontros contaram ainda com a participação dos maiores engenheiros da época, entre eles: Francisco de Assis Basílio, Eládio Petrucci, Gilberto Molinari, Lobo Carneiro e Luiz Alfredo Falcão Bauer, reconhecidos pelo IBRACON que, inclusive, confere importantes prêmios em suas memórias.

O Instituto foi fundado como uma instituição tecno-científica dedicada à pesquisa e divulgação da engenharia de concreto e de seus sistemas construtivos, nos moldes do “American Concrete Institute” – ACI, que envolve toda a cadeia produtiva do concreto, com ética e respeito, sem privilégios ou qualquer tipo de corporativismo entre os vários intervenientes da cadeia. Na sua fundação, teve apoio importante da empresa Otto Baumgart, hoje Vedacit, sócia mantenedora do Instituto. O Eng. Gilberto Molinari do IPT foi eleito o primeiro Presidente do IBRACON.

Na comemoração dos seus primeiros dez anos, em 1982, sob a Presidência do Prof. Simão Priszkulnik, o IBRACON comemorou as vitórias alcançadas por seus Comitês Técnicos e pelas Diretorias Regionais implantadas no período. No Congresso daquele ano, contou ainda com a presença nobre do Prof. José Calleja, vice-presidente do Instituto Eduardo Torroja e autoridade mundial em cimentos e adições, antecipando e validando a enorme evolução na qualidade e sustentabilidade da fabricação de cimento no Brasil, hoje reconhecido como o de menor emissão de carbono do mundo. Esteve presente também o Prof. Lewis Tuthill, pesquisador e autor consagrado mundialmente na área de durabilidade dos concretos.

Em 1992, sob a Presidência do Eng. Ronaldo Tartuce, o IBRACON comemorou com grandiosidade seus 20 anos no Congresso Brasileiro do Concreto realizado em Curitiba, que representou um marco na história do Instituto até então, onde todos os ex-presidentes foram convidados a participar. Na Solenidade de Abertura do evento, discursaram, além do Diretor Presidente, o sócio-fundador e ex-presidente, Eng. Simão Priszkulnik, o diretor regional do Ceará, Eng. Afrodízio Durval Gondim Pamplona, o coordenador do Comitê Técnico de Durabilidade, Eng. João Gaspar Djanikian, e o ex-presidente, Eng. José Zamarion Ferreira Diniz. O Congresso não podia discutir assunto mais caro à história do IBRACON, em sua missão de contribuir com profissionais e empresas com o bom uso do concreto e a qualidade da construção, adotando como tema: Vida Útil das Estruturas de Concreto. Nessa Congresso também ocorreu o primeiro jantar de confraternização, animado e com banda ao vivo, uma tradição que foi mantida desde então.

O Jubileu de Prata da fundação do IBRACON foi comemorado em 1997, durante a presidência do Eng. José Zamarion, ocasião na qual foi magistralmente abordado pelo filho do Diretor Presidente da THEMAG Engenharia, Eng. Klaus Herweg, o importante tema da “Engenharia e Poder Nacional”. Neste Congresso, a palestra inaugural foi proferida pelo professor Adam Neville, autor do livro “Propriedades do Concreto”, cuja segunda edição traduzida para o português foi lançada durante um coquetel no evento. Para repercutir a recente Missão técnica do IBRACON ao Canadá para conhecer o Programa “Béton Canada”, extenso programa de pesquisa e desenvolvimento sobre o concreto, envolvendo uma rede de centros de pesquisa e financiado pelo governo canadense, o tema adotado para o Congresso foi “Concreto de Alto Desempenho (HPC)”, representando mais um pioneirismo do IBRACON, pois hoje o HPC é uma realidade que vem dando certo na indústria da construção no Brasil.

Participação maciça da comunidade na comemoração dos 30 anos do Instituto em Foz do Iguaçú, em 2002

A comemoração dos 30 anos do Instituto ocorreu em 2002, sob a presidência do Eng. Eduardo Serrano. Como não podia deixar de ser, o evento aconteceu na forma de um Congresso no auditório do prédio Adriano Marchini, no IPT, nos dias 24 e 25 de junho. No dia 23, houve uma apresentação do coral na Sala São Paulo, que, homenageando o IBRACON, abriu as comemorações. O evento “IBRACON: 30 anos aperfeiçoando o concreto no Brasil” reuniu a nata da engenharia de concreto do país: Augusto Carlos Vasconcelos palestrou sobre as inovações em 50 anos da tecnologia do concreto; Walmor José Prudêncio tratou do concreto aparente na arquitetura; José Zamarion Diniz abordou a evolução das normas de concreto estrutural; Antonio Carlos Laranjeiras expôs como a durabilidade é uma das chaves para o desenvolvimento sustentável; Geraldo Isaia dissertou sobre os benefícios das adições minerais ao concreto estrutural.

No ano de 2012, em Maceió, durante o Congresso Brasileiro do Concreto, o IBRACON comemorou seus 40 anos de contribuições ao fortalecimento da cadeia produtiva do concreto no país. O então presidente, Prof. Tulio Bittencourt, assim se expressou na solenidade de abertura do evento: “Desde a época de sua fundação, o Instituto guarda semelhanças com o Brasil atual. O país vivia o chamado “milagre econômico”, com a construção civil edificando a infraestrutura necessária para o desenvolvimento econômico e social. Como hoje, o país carecia de mão de obra qualificada, de engenheiros bem formados e de eventos técnicos que congregassem a classe para discussões sobre questões técnicas e práticas dos canteiros de obras”.

 

Com recorde histórico de presença participativa, profissionais prestigiam os 40 anos do Instituto Brasileiro do Concreto em Maceió durante o Congresso Brasileiro do Concreto de 2012.

“Decorridos 40 anos de existência do IBRACON, é auspicioso constatar a excelência da sua contribuição à Engenharia Nacional, através das Reuniões Técnicas, Publicações, Comitês Técnicos, Práticas Recomendadas, Concursos Estudantis e Certificação de Mão de Obra”, complementou o fundador e ex-presidente do IBRACON, Prof. Simão Priszkulnik.

Agora em 2022, aos 50 anos, o Instituto Brasileiro do Concreto realizou um evento de caráter sentimental com participação presencial de seus sócios tradicionais, homenageados pela diretoria e conselho diretor da atual gestão, no IPT, no dia 23 de junho. O encontro ocorreu no Auditório da Engenharia Mecânica do IPT, local onde foi assinada a ata de fundação do Instituto há 50 anos atrás.

Em comemoração ao aniversário tão especial, o fundador e Diretor Secretário do IBRACON, Dr. Cláudio Sbrighi Neto abriu e conduziu magistralmente os trabalhos passando a palavra ao Diretor Presidente, Prof. Paulo Helene, que fez um resumo sucinto da jornada do Instituto nesses 50 anos; na sequência a Diretora Administrativa do IPT,  Dra. Flavia Motta,  que falou sobre a importância do IPT como incubador de Entidades científicas; a Enga. Patrícia Bauer, que apresentou as principais estatísticas da Entidade e o Conselheiro Hugo Armelin, que levantou os desafios da cadeia nos próximos 50 anos. No intervalo cultural, todos tiveram a oportunidade de desfrutar do concerto executado pela Orquestra Laetare, sob regência da Maestrina Muriel Waldman .

Brinde de Comemoração ds 50 anos do IBRACON em concreto de alta resistência e agregados calcários (Fonte: criação de Jéssika Pacheco e Arlene Ferreira, com a colaboração da Votorantim Cimentos e da Associação Brasileira de Cimento Portland ABCP)

No final do evento, os funcionários do IBRACON entregaram o Brinde comemorativo dos 50 anos aos sócios fundadores e representantes das empresas sócias mantenedoras e coletivas do Instituto, e o Dr. Cláudio Sbrighi convidou todos a um coquetel de comemoração daquela data histórica.

Mas o ápice das comemorações ocorrerá durante o Congresso Brasileiro do Concreto – Jubileu de Ouro, cujo tema é “Sustentabilidade do Concreto em Defesa do Planeta” a realizar-se de 11 a 14 de outubro de 2022, em Brasília.

Hoje, o Congresso Brasileiro do Concreto é o maior evento técnico-científico nacional onde participam profissionais, pesquisadores e estudantes para conhecer as tendências em termos de pesquisas, tecnologias construtivas, normalização técnica e boas práticas relacionadas ao projeto, construção e manutenção das estruturas de concreto.

Centenas de trabalhos técnico-científicos veem sendo apresentados em sessões plenárias e pôsteres, assim como as dezenas de Seminários e palestras plenárias têm ocorrido nos últimos 50 anos.

O evento contará com palestras de profissionais à frente de instituições técnicas internacionais. O presidente da fib (Federação Internacional do Concreto Armado), Akio Kasuga, tratará do tema da sustentabilidade do concreto dentro do novo Model Code 2020 e como o projeto pode contribuir para a neutralidade do carbono. Já o presidente da RILEM (União Internacional dos Laboratórios e Especialistas em Materiais Construtivos e Sistemas Estruturais), Ravindra Gettu, apresentará um panorama das construções de baixo carbono com concreto. Por fim, o presidente do ACI (Instituto Americano do Concreto), Charles Nmai mostrará como os projeto e construção de estruturas de concreto podem decisivamente contribuir para reduzir as emissões de gases estufa no planeta.

Sinto orgulho de dizer que, ao longo desses 50 anos, o Instituto fez muito pela engenharia do concreto no país, contribuindo também para a difusão de novos conhecimentos no mundo. E essa trajetória bem-sucedida teve como seu grande propulsor os esforços empreendidos no dia a dia pelas equipes do IBRACON durante essas décadas. É notável o comprometimento de todos com o Instituto. De forma completamente altruísta e dignificante, muitos dedicam voluntariamente seu saber, seu prestígio e horas de suas vidas ao engrandecimento da engenharia de concreto no país, fortalecendo uma Entidade que representa um sólido canal de produção e transmissão de conhecimentos.

Com o passar dos anos, o empenho de todos só aumentou e hoje o Instituto pode se orgulhar de ostentar este sucinto resumo de estatísticas apresentado pela Enga. Patrícia Bauer na celebração dos 50 anos no IPT:

  • “Uma Revista impressa, “CONCRETO & Construções”, 5 mil exemplares por edição, trimestral, distribuída gratuitamente a todos os sócios, faculdades de engenharia e aos profissionais empresas de destaque, com conteúdo tecno-científico, classificada no sistema QUALIS do CNPq;
  • Uma revista científica, “Concrete Materials and Structures Journal”, reconhecida no sistema QUALIS do CNPq e com um extenso comitê científico com pesquisadores de várias partes do mundo;
  • Publicação de 11 livros técnicos e 14 práticas recomendadas, que se tornaram referência para os novos profissionais e para a contínua atualização dos que seguem ativos no mercado;
  • Manutenção das 22 Diretorias Regionais atuais, que levam novos conhecimentos para todo país e mobilizam cerca de 100 profissionais voluntários sediados nas principais cidades e estados do Brasil;
  • Manutenção de 19 Comitês Técnicos atuais com cerca de 500 voluntários, responsáveis pela ampliação e aperfeiçoamento de diversos temas e normas ligadas ao concreto;
  • Promoveu até hoje 167 cursos dentro do Programa MasterPEC, com formação de cerca de 2.960 profissionais;
  • 105 edições da Revista Concreto & Construções e 79 edições da Revista Structures and Materials Journal, com um total de 1.840 artigos publicados nas duas revistas;
  • 62 edições de congressos, com mais de 40.000 participantes e 8.376 artigos publicados nos anais do congresso;
  • 27 edições do concurso APO; 17 edições do concurso CONCREBOL; 10 edições do concurso COCAR/ECO CC; 4 edições do concurso Concreto: Quem sabe faz ao vivo; 14 edições do concurso Ousadia; 1 edição do concurso Concregame; e 1 edição do concurso Do ityourself;  com a participação de mais de 10.000 futuros arquitetos e engenheiros de mais de 60 instituições de ensino do país e do estrangeiro;
  • 37 edições do prêmio Emílio Baumgart, com 40 profissionais agraciados; 34 edições do prêmio Ary Frederico Torres, com 38 profissionais agraciados; 36 edições do prêmio Gilberto Molinari, com 43 profissionais agraciados; 27 edições do prêmio Liberato Bernardo, com 28 profissionais agraciados; 31 edições do prêmio Argos Menna Barreto, com 23 profissionais agraciados; 31 edições do prêmio Francisco de Assis Basílio, com 36 profissionais agraciados; 17 edições do prêmio Epaminondas Melo do Amaral Filho, com 20 profissionais agraciados; 17 edições do prêmio Luiz Alfredo Falcão Bauer, com 17 profissionais agraciados;, 10 edições do prêmio Lobo Carneiro e 10 edições do prêmio Oscar Niemeyer com 10 profissionais agraciados;
  • Parceria de cooperação tecno-cientifica com 8 entidades e instituições nacionais e 11 internacionais, assegurando a inserção internacional da entidade;
  • 327 profissionais certificados do programa de Certificação de Pessoal IBRACON – NQCP, sendo 132 tecnologistas, 57 laboratoristas, 15 auxiliares de laboratório, 123 inspetores de estruturas de OAE e 157 recertificações.”

E, merece registrar que o carro-chefe propulsor do Instituto sempre foram os Congressos. Pode-se dizer que o IBRACON tem esse DNA desde sua fundação: a prática do compartilhamento de conhecimentos, de discussão respeitosa de pontos de vista controversos, de aceitar as críticas e revisões dos pares, de convívio com o contraditório como mola impulsora do desenvolvimento.

Cada uma de suas edições foram transformadoras para diversos profissionais que cresceram nesse ambiente de diálogo e novos horizontes. Alguns em tom de brincadeira séria costumam dizer com satisfação: “…nos Congressos do IBRACON eu tenho a oportunidade única de, anualmente, conhecer e conviver com as bibliografias que uso na atividade profissional e acadêmica…”. Este, sem dúvida, é um legado do qual todos do IBRACON devem se orgulhar. Afinal, estamos falando aqui de profissionais que foram além em suas áreas de atuação compartilhando seu saber e experiência, além de expandir seus conhecimentos, fortalecidos por um forte ambiente de networking entre “formadores de opinião”. 

A cada página virada na evolução do material, todos trabalharam e trabalham ativamente para que o conjunto de profissionais brasileiros tenham acesso às novidades de cada período, ajudando-os a aplicar técnicas cada vez mais avançadas em diversas obras espalhadas pelo país. Não à toa, a engenharia nacional atualmente não deve nada a ninguém, estando ela consolidada, reconhecida mundialmente e com um potencial ilimitado.

Grande parte dessa marca alcançada hoje deveu-se aos esforços do IBRACON, podendo-se citar a título de simples registro: na década de 70 introduziu os conceitos de durabilidade; na década de 80 o de vida útil, da importância das adições, da sustentabilidade; na década de 90 os conceitos de HPC, HSC, concreto com fibras, novos aditivos, concreto autoadensável SCC; na década de 90 foi inovador no concreto aparente colorido do Hotel Unique; em 1997 revolucionou o mercado com o emprego do fck = 50 MPa no edifício da torre norte do CENU, suprimindo um pilar a cada dois; em 2002 bateu o recorde mundial de resistência de concreto em pilares do e-Tower em São Paulo com 125 MPa de média; no Paraná e em São Paulo já projetou e construiu pilares com fck = 90MPa, em concreto aparente; conseguiu concreto sem fissurar para Projeto Sirius em Campinas/SP; a partir deste milênio a Engemix e Supermix se firmaram no mercado americano e a Polimix no mercado latino americano; os grupos Gerdau e Votorantim competem internacionalmente com os maiores e melhores do mundo e são brasileiros; o Brasil, em 2021, acaba de ganhar o segundo lugar numa competição internacional promovida pelo ACI e julgada por mais de 20 especialistas estrangeiros no campo das melhores obras de infraestrutura em concreto no mundo com o viaduto da nova rodovia dos Tamoios; também conquistou o primeiro lugar numa competição internacional promovida pelo ACI e julgada por mais de 20 especialistas estrangeiros, com a obra do Edifício Leopoldo em São Paulo, por inclusive ser sustentável e apresentar módulo de elasticidade secante de 48 GPa; e nunca é demais dizer que a norma brasileira ABNT NBR 6118 é reconhecida mundialmente pela ISO como norma de qualidade equivalente à do ACI 318 e à do Eurocode, e que o IBRACON teve papel determinante na obtenção desse reconhecimento. Cabe dizer ainda que entre os 50 mais desenvolvidos países, à exceção de China e Rússia, o Brasil é o único país que tem sua própria e independente norma de estruturas de concreto. Todos os demais ou são cópias do ACI ou cópias e adaptações da fib.

Vou parar por aqui, mas poderia citar uma centena de grandes obras projetos, pesquisas, livros, profissionais, empresas, indústrias que honram e enobrecem a engenharia de concreto do Brasil, assim como os arquitetos Ruy Ohtake, Oscar Niemeyer, Paulo Bruna, Alberto Botti, Samuel Kruchin, Índio da Costa e Paulo Mendes da Rocha, todos reconhecidos e agraciados com prêmios do IBRACON.

Finalmente devemos pontuar o espírito e visão de tradição e modernidade que nortearam os e as fundadores(as) do Instituto há 50 anos atrás – valores e legados que não se podem perder nunca:

  1. Conhecimento, ciência e progresso: um compromisso com o avanço e o que houver de mais moderno e inovador na tecnologia do concreto e na engenharia para o desenvolvimento da sociedade.
  2. Pluralidade e respeito: o Instituto foi fundado por uma equipe multidisciplinar composta de engenheiros, engenheiras, químicos (as), geólogos(as), profissionais experientes, ícones da engenharia, tecnólogos e até estagiários, com respeito pela opinião de todos e trabalho incansável pela busca do consenso (ainda que imperfeito) tendo sempre como norte a ciência, os fatos, pesquisa, ensaios e dados como fiel das decisões.
  3. Ambição nacional: nasceu com a visão de que todas as regiões do País são importantes e que o conhecimento precisa ser levado a todos com a criação, manutenção e estímulo às Regionais.
  4. Compromisso com o País: o Instituto se mantém sempre à frente nos momentos em que a sociedade civil pediu um posicionamento técnico através de contribuição inquestionável às normas, manifestos sobre grandes tragédias, pesquisas para buscar lições e aprendizados, envolvimento em grandes projetos nacionais como barragens, pontes, certificação de pessoal técnico e de nível superior e atualização profissional através do MasterPEC.

Por seu trabalho e protagonismo, desde muito cedo, o Instituto atraiu para seu entorno parcerias nacionais e internacionais de notória relevância para a engenharia do concreto, tornando cada discussão e troca de informações atual e valiosa. Mais do que apoios formais, amadurecemos ao longo dos anos relações duradouras de amizade com diversos atores da cadeia produtiva do concreto.

Com a ajuda, o saber e o desprendimento de tantas pessoas bem-intencionadas, chegamos com altivez a esta marca tão especial. Se hoje podemos celebrar com alegria o nosso Jubileu de Ouro é porque, foi construído um alicerce estável e seguro para continuar nessa jornada, por novos 50 anos, superando os grandes desafios que o futuro nos apresentará.

Mas não se enganem nem se acomodem porque a história mostrou que o IBRACON não espera passivamente o futuro, ao contrário, desde seus fundadores, nós desenhamos o caminho do futuro das construções em concreto no país. 

Agradecemos a todos pela dedicação e compromisso. Um brinde aos 50 anos de aprendizado e crescimento em concreto tão bem registrados nas páginas deste histórico livro.

Paulo Helene
Diretor Presidente
Gestão 2021-2023

 

IBRACON comemora 40 anos de serviços ao fortalecimento do concreto no Brasil

Quarenta anos dedicados ao fortalecimento da cadeia produtiva do concreto no Brasil. Com este lema o Instituto Brasileiro do Concreto — IBRACON realizou a 54ª edição do Congresso Brasileiro do Concreto, de 08 a 11 de outubro, no Centro Cultural e de Eventos Ruth Cardoso, em Maceió, Alagoas. 

Ibracon - História - 54º Congresso Brasileiro do Concreto

Público prestigia 54º Congresso Brasileirto do Concreto em sua solenidade de abertura.

A época de fundação do Instituto Brasileiro do Concreto – IBRACON guarda semelhanças com o Brasil atual. O país vivia o ‘milagre econômico’, com a construção civil edificando a infraestrutura necessária para o desenvolvimento econômico e social. Como hoje, o país carecia de mão de obra qualificada, de engenheiros bem formados e de eventos técnicos que congregassem a classe para discussões sobre questões técnicas e práticas dos canteiros de obras.

Em São Paulo, em função de um convênio entre o Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT e a Fundação Estadual de Saneamento Básico (atual SABESP), os tecnologistas do IPT polemizavam sobre a permeabilidade ou não do concreto usado em reservatórios de água e estações de tratamento. Outra questão que suscitava debates e controvérsias era se o concreto usado nas obras do Metrô de São Paulo era ou não durável, resistindo, ao longo do tempo, ao ataque de agentes agressivos contidos nas águas subterrâneas em contato com suas estruturas.

Face às polêmicas, alguns funcionários do Departamento de Tecnologia do Concreto do IPT decidiram organizar um colóquio em suas dependências, o que contou com o apoio do diretor de engenheira civil à época, o Eng. Antonio Dias Ferraz Nápoles Neto.

Assim nasceu o que se tornaria mais tarde o Congresso Brasileiro do Concreto. Reunindo 200 profissionais, esse primeiro colóquio contou com a participação dos maiores tecnologistas da época, o que demonstrava sua importância e mérito, entre os quais: Francisco de Assis Basílio, Eládio Petrucci, Gilberto Molinari e Luiz Alfredo Falcão Bauer, reconhecidos atualmente pelo IBRACON em seu profissionalismo e contribuição para a engenharia civil brasileira pela denominação dos Prêmios de Destaques do Ano, conferidos anualmente aos melhores profissionais brasileiros reconhecidos por seus pares.

Professor Túlio Bittencourt - História - Ibracon

Prof. Túlio Bittencourt, presidente do IBRACON, oferece boas-vindas aos congressistas da 54ª edição do Congresso Brasileirto do Concreto.

O sucesso do colóquio foi tanto que seis meses depois foi organizado um segundo colóquio, que se expandiu para fora das dependências do IPT, envolvendo a Associação Brasileira de Cimento Portland – ABCP e a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Neste colóquio os engenheiros reunidos dedicaram-se ao tema da durabilidade do concreto.

Sentindo ter chegado o momento para a instituição de uma entidade técnica dedicada à pesquisa e divulgação da tecnologia do concreto e de seus sistemas construtivos, nos moldes do “American Concrete Institute” – ACI, os profissionais reunidos no segundo colóquio decidiram, em Assembleia Geral, pela fundação do Instituto Brasileiro do Concreto, a 23 de junho de 1972. De lá para cá, o IBRACON expandiu suas atividades e o Congresso Brasileiro do Concreto se diversificou.

De uma reunião semestral entre alguns pesquisadores brasileiros, o evento atingiu o porte de um grande congresso nacional de engenharia civil, realizado anualmente, com o reconhecimento da comunidade técnica- científica brasileira e estrangeira de estar entre os maiores fóruns de difusão e debates sobre a tecnologia do concreto e seus sistemas construtivos. 

Componentes da mesa de Solenidade de Abertura ouvem a execução do Hino Nacional por artista regional.

 Com as edições do Congresso Brasileiro do Concreto, carro-chefe do IBRACON, o Instituto tem cumprido sua missão de criar, divulgar e defender o correto conhecimento sobre materiais, projeto, construção, uso e manutenção de obras de concreto, desenvolvendo seu mercado, articulando seus agentes e agindo em benefício dos consumidores e da sociedade em harmonia com o meio ambiente.

Fundadores do Instituto Brasileiro do Concreto em momento de reconhecimento por seus serviços prestados à engenharia brasileira e ao país.

“Decorridos 40 anos de existência do IBRACON, é auspicioso constatar a excelência da sua contribuição à Engenharia Nacional, através das Reuniões Técnicas, Publicações, Comitês Técnicos, Práticas Recomendadas, Concursos Estudantis e Certificação de Mão de Obra”, conclamou o fundador e ex-presidente do IBRACON, Prof. Simão Priszkulnik, aos participantes do 54º Congresso Brasileiro do Concreto, em mensagem enviada eletronicamente, presentes em sua solenidade de abertura.

Prof. Geert De Schutter em sua palestra magna sobre CAA.

Nesta, além de recordar nome a nome os fundadores do IBRACON, o Instituto prestou uma homenagem aos fundadores presentes, entregando-lhes uma placa comemorativa e os saudando com uma salva de palmas. Por ocasião da cerimônia, foram premiados ainda os profissionais de destaque do ano e as melhores teses de doutorado sobre o concreto. Por fim, os presentes – 1368 pessoas – foram brindados com a palestra do professor da Universidade de Ghent, na Bélgica, Geert De Schutter, sobre o estado da arte do concreto autoadensável após 20 anos de pesquisa e prática.

IBRACON faz 30 anos

A fundação do Instituto Brasileiro do Concreto

Discutir questões práticas ligadas às obras de concreto, problemas do dia-a-dia dos engenheiros civis brasileiros, essa foi a motivação de fundação do Instituto Brasileiro do Concreto. “Havia uma demanda por um evento que congregasse profissionais do ramo do concreto, para discutirem e trocarem os conhecimentos advindos dos canteiros de obras”, explica a Engenheira Yasuko Tezuka, funcionária do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo a época e que se empenhou na fundação do IBRACON.

Estávamos em 1970, o Brasil vivia o denominado ‘milagre econômico’ e a construção civil estava em acentuada ascensão, com a construção de obras arquitetônicas por todo o país: a Ponte Rio-Niterói; as Usinas de Tucuruí e Itaipu; a Usina Nuclear de Angra dos Reis. “Em cálculo, em projeto estrutural de concreto, há tempos tínhamos pessoas com projeção internacional. Entre outros, devem ser lembrados: os professores Telêmaco van Langendonck, Fernando Luiz Lobo Carneiro e Augusto Carlos de Vasconcelos”, relembra o Engenheiro Simão Priszkulnik, idealizador do primeiro colóquio sobre a permeabilidade do concreto, donde surgiria o IBRACON. Nesta época, o Departamento de Tecnologia do Concreto do IPT mantinha um convênio com o FESB (Fomento Estadual de Saneamento Básico, precursor do que é hoje a SABESP), para o controle tecnológico das obras de concreto. Esse convênio engendrou uma polêmica entre os profissionais do IPT sobre a permeabilidade do concreto nos reservatórios de água. “Na época, a ênfase quanto ao projeto estrutural era dada apenas à resistência do concreto”, esclarece Priszkulnik. Por outro lado, havia também o problema da agressão pelas águas subterrâneas do Metrô de São Paulo. ‘Não havia uma bibliografia específica que resolvesse as questões de permeabilidade e durabilidade do concreto. As especificações eram contraditórias’, comenta Yasuko Tezuka.

Simão Priszkulnik, um dos idealizadores do Instituto Brasileiro do Concreto.

Desejosos de resolver o problema sobre a permeabilidade do concreto à água, os engenheiros Simão Priszkulnik, Yasuko Tezuka, Sérgio Simondi, entre outros funcionários do IPT, decidiram organizar um colóquio que discutisse o assunto. A idéia era convidar tecnologistas e profissionais de empresas ligados ao concreto, para exporem e debaterem sobre o tema. A iniciativa do grupo contou com o apoio do diretor de Engenharia Civil do IPT, o Dr. Antonio Dias Ferraz Nápoles Neto, que disponibilizou o espaço para o colóquio e permitiu o uso da infra-estrutura do IPT. “Não tínhamos xerox, de modo que datilografávamos as cartas,convidando os profissionais para participarem do evento. Eu e o Simão entregávamos pessoalmente os convites”, relembra Yasuko.

Apesar das dificuldades, a Comissão Organizadora obteve o êxito da presença dos expoentes da tecnologia do concreto à época os Engenheiros Francisco de Assis Basílio, Eládio Petrucci, Gilberto Molinari e Luiz Alfredo Falcão Bauer -, como expositores. E, de quebra, o patrocínio da empresa Otto Baumgart com um coquetel. O auditório com capacidade para duzentas pessoas ficou lotado.
 As participações foram intensas. As discussões foram gravadas e, posteriormente, transcritas. “Chegamos à conclusão de que o concreto serviria, por si só, como elemento impermeabilizante, mas sabíamos que esse consenso entre os funcionários do IPT não era compartilhado por todos os profissionais ligados ao concreto”, pontua Sérgio Simondi.

“O sucesso foi tão grande que preparamos questionários solicitando opiniões e sugestões de temas para o segundo evento. Predominou o tema durabilidade”, esclarece a química Maria Alba Cincotto, que também participou da fundação do IBRACON. Desta vez, a Comissão Organizadora se estendeu para fora do IPT. “Ela incluiu a ABCP e seu superintendente, o Eng° Francisco de Assis Basílio”, afirma Priszkulnik. Participaram também na organização do segundo colóquio, o professor Eládio Petrucci, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, e o engenheiro aposentado do IPT, Gilberto Molinari.

Participação maciça de engenheiros e estudantes no 43º Congresso Brasileiro do Concreto, em Foz do Iguaçu

O segundo colóquio realizou-se no período de 19 a 25 de junho de 1972, seis meses após o primeiro. No seu transcurso, no dia 23 de junho, os participantes realizaram uma Assembléia Geral no Auditório da Divisão de Engenharia Mecânica do IPT, onde, por unanimidade, decidiu-se pela fundação de um instituto dedicado ao concreto, o Instituto Brasileiro do Concreto, que naquele momento recebeu a sigla de IBCON. Compuseram a mesa da Assembléia de Fundação, os Engenheiros Francisco de Assis Basílio, como presidente, Antonio Dias Ferraz Nápoles Neto e José Araújo Ferreira.

Logo após a cerimônia de Fundação, o presidente da mesa pôs em discussão os Estatutos do Instituto, o valor das contribuições a serem pagas pelos sócios titulares e coletivos e informou que o IPT havia colocado à disposição do instituto uma sede provisória, o que foi recebido pela Assembléia com uma salva de palmas. “O fato de que, até alguns anos atrás, as estruturas serem fundamentalmente feitas de concreto mostra a importância e a pertinência de um instituto para discutir a tecnologia do concreto”, conclui Sérgio Simondi. Além disso, a Assembléia de Fundação elegeu o Engenheiro Gilberto Molinari, para presidente, o Engenheiro Sérgio Simondi, para secretário e o Engenheiro Simão Priszkulnik, para tesoureiro da Diretoria Provisória. No ato de fundação consolidou-se a idéia, já aventada no primeiro colóquio, de congregar na entidade não apenas os engenheiros tecnologistas de concreto, mas também os calculistas, construtores e professores da área de materiais de construção.

O IBRACON nascia para viabilizar a realização permanente de dois colóquios sobre o concreto por ano. A diretoria ficaria responsável por escolher os temas relacionados ao dia-a-dia das construções de concreto no país e convidar os profissionais capazes de falar sobre elas. Mas, não apenas para isso. Os Estatutos previam a formação de Comitês Técnicos, para estudar ramos específicos do concreto e elaborar textos que pudessem servir de referência para a elaboração de Normas Técnicas na execução de obras de concreto. “A idéia foi criar um instituto parecido com o American Concrete Institute (ACI): uma entidade que discutisse e propusesse soluções para o cálculo, a normalização e a execução de obras de concreto”, pondera Simondi. Previam-se também as Regionais do Instituto para lhe conferir caráter de entidade nacional.

Jubileu de Prata do IBRACON

Os 25 anos de história do IBRACON foram comemorados em 1997, durante a presidência do Eng. José Zamarion. Na 39ª Reunião do IBRACON, a palestra inaugural foi proferida pelo professor Adam Neville, autor do livro “Propriedades do Concreto”, cuja segunda edição traduzida para o português foi lançada em coquetel no evento. Para repercutir a recente Missão técnica ao Canadá para conhecer o Programa “Béton Canada”, extenso programa de pesquisa e desenvolvimento sobre o concreto, envolvendo uma rede de centros de pesquisa e financiado pelo governo canadense, a 39ª REIBRAC abordou como tema principal o Concreto de Alto Desempenho (CAD), largamente empregado nas edificações do Canadá, mas com uso ainda tímido no Brasil naquele momento.

Comemoração dos 20 anos

Em 1992, sob a presidência do Eng. Ronaldo Tartuce, o IBRACON comemorou seus 20 anos de atividades. Na Reunião Anual realizada em Curitiba, todos os ex-presidentes foram homenageados. Discursaram na cerimônia de abertura, além do diretor-presidente, o sócio-fundador e ex-presidente, Eng. Simão Priszkulnik, o diretor regional do Ceará, Eng. Afrodízio Durval Gondim Pamplona, o coordenador do Comitê Técnico de Durabilidade, Eng. João Gaspar Djanikian, e o ex-presidente, Eng. José Zamarion Ferreira Diniz. O Congresso não podia ter discutido assunto mais caro à história do IBRACON em sua nobre missão de contribuir com profissionais e empresas no bom uso do concreto e na qualidade da construção: a Vida Útil das Estruturas de Concreto. Foi a partir deste evento que o jantar de confraternização passou a ser animado com banda tocando ao vivo.

Comemoração dos 10 anos

Nos seus primeiros dez anos de atividades ininterruptas, em 1982, sob a presidência do Prof. Simão Priszkulnik, o IBRACON comemorou a consolidação dos Comitês Técnicos e das Diretorias Regionais implantadas no período.

Abrilhantaram a Reunião Anual daquele ano, realizada no auditório do Hospital das Clínicas, em São Paulo, como palestrantes, o Prof. José Calleja, vice-presidente do Instituto Eduardo Torroja e autoridade mundial em cimentos e adições, tecnologia na qual o Brasil saiu na frente, sendo hoje reconhecido como produtor de cimento com menor emissão de carbono do mundo, e o Prof. Lewis Tuthill, pesquisador e autor consagrado mundialmente na área de durabilidade dos concretos.

Fundação do IBRACON

Na década de 1970, não havia um consenso entre os pesquisadores do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT) quanto à composição de materiais e seu proporcionamento no concreto destinado a reservatórios de água e de esgoto, nem quanto aos ensaios que deveriam ser realizados para assegurar a impermeabilidade deste concreto. O que suscitava essas discussões era o convênio assinado entre o IPT e a companhia de saneamento do estado da época.

Os funcionários do IPT decidiram organizar um colóquio para expor o que se sabia sobre a permeabilidade do concreto e os métodos para contorná-la. Participaram 11 renomados especialistas como expositores e cerca de 200 profissionais neste evento, realizado em dezembro de 1971.

O caráter pragmático de transferência tecnológica do evento ensejou que, apenas seis meses depois, fosse organizado um segundo colóquio, com a participação de profissionais de fora do IPT, ligados à Escola Politécnica da Universidade de São Paulo e à Associação Brasileira de Cimento Portland. Este segundo colóquio tratou da durabilidade do concreto e apresentou para os cerca de 157 participantes como ocorria a deterioração do concreto pela ação da água do subsolo, tema muito discutido na época em razão das obras de construção do metrô de São Paulo.

Durante a realização do segundo colóquio, os participantes decidiram convocar uma assembleia geral, em 23 de junho de 1972, para, por unanimidade, fundar o Instituto Brasileiro do Concreto. Realizada no auditório de Engenharia Mecânica do IPT, a assembleia aprovou os estatutos da nova entidade técnica e os valores das contribuições de seus sócios titulares individuais (profissionais) e coletivos (empresas). De sua fundação, participaram engenheiros com prestígio nacional, como Francisco de Assis Basílio, Eládio Petrucci, Gilberto Molinari, Lobo Carneiro e Luiz Alfredo Falcão Bauer, entre outros.

O Instituto foi fundado como uma instituição ténico-científica dedicada à pesquisa e divulgação da engenharia de concreto e de seus sistemas construtivos, nos moldes do “American Concrete Institute” – ACI, englobando todos os segmentos da cadeia produtiva do concreto.

A primeira assembleia geral do IBRACON, realizada em seguida, aclamou por unanimidade a Diretoria Provisória, integrada por Sérgio Simondi (secretário), Simão Priszkulnik (tesoureiro) e Gilberto Molinari (presidente).

 

IBRACON – Instituto Brasileiro do Concreto

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